Nem tudo é individual: como o contexto social adoece a saúde mental
- Thaysa da Silveira Fortes
- 10 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: 20 de mar.
Existe uma narrativa muito difundida hoje: se você está cansado, ansioso ou esgotado, a responsabilidade é sua. Você que não soube se organizar. Não foi resiliente o suficiente. Não pensou positivo....
Essa lógica individualiza o sofrimento e isso também adoece. Vivemos em uma sociedade que normaliza o excesso: excesso de trabalho, de desempenho, de produtividade, de comparação. Descansar virou culpa. Parar virou fracasso. Adoecer virou falha pessoal.
Não é coincidência que quadros de ansiedade, burnout e esgotamento emocional estejam cada vez mais presentes. Eles não surgem no vazio. São respostas psíquicas a um modo de vida que exige demais e sustenta pouco.
Na clínica, é importante ampliar a escuta para além do indivíduo isolado. Porque muitas dores não nascem apenas da história pessoal, mas do encontro entre essa história e um contexto social violento, competitivo e excludente. Quando tudo vira responsabilidade individual, perde-se a dimensão do coletivo. E o sujeito passa a se culpar por não suportar o que, na verdade, é insuportável. Cuidar da saúde mental também é:
questionar padrões inalcançáveis
reconhecer limites
entender que adoecer pode ser uma forma de resistência
devolver ao social aquilo que ele tenta colocar apenas no indivíduo
A terapia, nesse sentido, não serve para adaptar alguém a um mundo adoecedor a qualquer custo. Serve para criar consciência, respaldo para sustentar a carga psíquica e ter possibilidade de escolha.
Fontes e referências:
Dunker, C. I. L. – A lógica do condomínio
Han, B-C. – Sociedade do cansaço
Safatle, V. – O circuito dos afetos
Thaysa Fortes
Psicóloga Clínica | 12/28440
Escuta clínica orientada pela psicanálise
📩 Agendamentos: 48 99120334












Comentários