Quando existir cansa: sinais de que o sofrimento emocional já passou do limite
- Thaysa da Silveira Fortes
- 9 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: 20 de mar.
Tem gente que não sabe mais dizer se está triste, ansiosa ou apenas cansada demais para sentir qualquer coisa. A vida segue, as responsabilidades se acumulam, e a sensação é de estar sempre funcionando mas nunca realmente vivendo.
O sofrimento emocional nem sempre aparece como uma crise explícita. Às vezes ele se manifesta de forma silenciosa, cotidiana, quase invisível:
um cansaço que não melhora com descanso;
irritação constante, sem motivo claro;
dificuldade de sentir prazer;
vontade de sumir, desligar, desaparecer por algumas horas;
sensação de estar sempre “devendo algo” a alguém ou à vida.

Vivemos aprendendo a suportar. A dar conta. A seguir em frente. Mas o corpo e a mente têm limites e quando esses limites são ignorados, o sofrimento encontra outras formas de se expressar.
Na clínica, é comum ouvir frases como:
“Eu não sei explicar o que eu sinto, só sei que não aguento mais.”
E isso já diz muita coisa.
O sofrimento emocional não é sinal de fraqueza. Na maioria das vezes, ele é consequência de excesso: de exigências, de cobranças internas, de tentativas repetidas de se adaptar ao que machuca.
A terapia não é sobre “consertar” alguém quebrado. É sobre criar um espaço onde não seja mais necessário sobreviver o tempo todo. Onde seja possível nomear o que dói, entender como isso se construiu e, aos poucos, encontrar outras formas de existir.
Se existir anda pesado demais, talvez não seja falta de força. Talvez seja falta de cuidado.
Fontes e referências:
Freud, S. – O mal-estar na civilização
Dunker, C. I. L. – Mal-estar, sofrimento e sintoma
Birman, J. – O sujeito na contemporaneidade
Talvez o problema não seja fraqueza, mas excesso de sobrevivência.
Thaysa Fortes
Psicóloga Clínica | 12/28440
Escuta clínica orientada pela psicanálise
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